"Escreva para destruir o texto, mas alimente-se. Fartamente. Depois vomite. E isso pode ser muito pessoal, escrever é enfiar o dedo na garganta. Depois, claro, você peneira essa gosma, amolda-a, transforma. Pode sair até uma flor. Mas o momento decisivo é o dedo na garganta. Escrever - pode eliminar essa sensação de gratuidade no existir, de coisas o tempo todo fugindo e se transformando em passado. Então vai, escreve e diz tudo e rasga o coração, as vísceras, expõe tudo, grita, esperneia - no papel. Isso é escrever. Tirar sangue com as unhas. E não importa a forma, não importa a "função social", não importa que, a princípio, seja apenas uma espécie de auto - exorcismo. Mas tem que sangrar a-bun-dan-te-men-te." Caio Fernando de Abreu.
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quinta-feira, 23 de maio de 2013
Perverções II - Fazer a feira
-Tarefa do dia: quero que vá "fazer a feira".
- No domingo?
- É, no domingo!
Ele me olha desconfiado, a mais de um mês começamos o treinamento anal com vegetais. Passo a lista e peço que me ligue quando chegar.
Meia hora.
- Pronto, Sra.
- Quero que compre o pepino japonês primeiro. Vá em três barracas diferentes em que eles estejam bonitos, separe os melhores, coloque em fileira, tire a foto e me envie.
- Como?
Paciência.
- Vá em três barracas diferentes em que os pepinos estejam bonitos, separe os melhores, coloque em fileira, tire a foto e me envie.. Alguma dúvida?
- Para que a foto Sra?
- Preciso ver quais vou querer usar em seu cu.
Posso ouvir o gaguejar do outro lado.
- Alguma dúvida?
- Não Sra.
- Ótimo.
- Mas as pessoas vão me olhar estranho.
- Só porque vai tirar fotos de pepinos, estranho vai ser quanto tu ver eles inteiros enfiados.
- A última vez: dúvidas?
- Não, Sra.
Demora mais vem...
Barraca 1
Barraca 2
Barraca 3
- Está em qual barraca?
- Terceira.
- Ótimo.
- Apalpe os pepinos pra mim e descreva a consistência?
- Duro... acho.
- Pergunte pro feirante se estão maduros?
- Como?
- Coloca no viva-voz.
- Oi, bom dia Sr. Pode me informar se esses pepinos estão verdes ou se estão com as pontas murchas?
- Oh, não não... Estão ótimos. Muito bons.
- Não é para comer Sr.
Imaginei o feirante japonês velhinho e de cabeça branca a matutar.
sábado, 30 de junho de 2012
Notas sobre sadismo e a arte de corromper — Parte I
Esse texro foi publicado originalmente em iFetiche.
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Entre idas e vindas, um ser me traz a seguinte posição e questionamento:
“ O que mais me atraí, é ver uma pessoa negar a razão e a moral, negar sua consciência de que faz algo cruel, condenável e prejudicial ao terceiro, e por prazer, passa por cima disso tudo e faz o mal. Posso perguntar se a ciência de algo que é mal, cruel, injusto e perverso a excita? Fazer o mal sem motivos, apenas por prazer a atraí?
Concorda que o verdadeiro mal é feito sem motivos, mas pelo prazer banal e sexual de ser cruel?”
Achei interessante a pergunta. Pensar sobre ela, levanta vários pontos de como nos vemos e como vemos às relações a nossa volta.
Existe certa complexidade dentro do sadismo social, todos em menor e maior grau usam disso no cotidiano. Tal comportamento não se enquadraria dentro do convívio social? Talvez, mas já paramos pra pensar que todos nós temos ao menos um pouco disso! Pessoas comuns veem o sadismo de forma negativa, e deixamos de perceber e compreender que isso é um tanto quanto natural, negamos portanto parte de nossa essência. Compactuo com as ideias de alguns etologistas quando dizem que, a violência, seja física ou psicológica, faz parte do homem como animal, portanto tais características não estariam presentes também no homem como ser social.
O que difere então, o sadismo social do sadismo com o qual alguns vivem no BDSM?
A partir de que ponto sadismo passa a ser uma psicopatia? Ou em que ponto o masoquismo se torna uma doença psicológica?
Vejo o BDSM como um meio de canalizar e desenvolver sensações e percepções sobre nossa personalidade, uma auto investigação do que de fato somos ou, por que não, do que desejamos ser. Existe uma linha tênue em tudo, e há certo risco trilharmos esse caminho em nós mesmos, mas porque não pagar o preço?!
Dentro do BDSM, tal característica pode tomar outros rumos, digamos, tornar a coisa com a aparência de “civilizada” — porque um é cruel e o outro deseja sofrer tais crueldades. Creio que a todo instante negamos o prazer numa crueldade feita, ou vista, sem motivo aparente. Até porque, como adultos normais, passamos por todo um processo de socialização. Fomos formatados para não compactuar e ver com bons olhos situações dentro desse contexto. Penso que talvez seja exatamente por esse fator que transformamos e declaramos o sadismo dentro de uma perspectiva mais trabalhada, pensada, mais bem elaborada dentro do sadomasoquismo. Sadismo social (a crueldade pela crueldade) nada mais é que pura violência gratuita. Sadeanos se encontram em outra linha de pensamento, trabalhamos o sadismo social e transformamos em algo bem maior, consequentemente, o prazer se torna maior do que uma simples e banal maldade.
Já ouvi e li absurdos dentro do BDSM sobre o que é ser sádico, sobre o que é sadismo e etc. Os típicos arrotadores sobre o assunto, utilizam frases recortadas de algum lugar e, sem se quer ler um livro do pai da luxúria, se agarram a pensamentos fragmentados pra justificar ideias tão torpes que fariam Sade se levantar do túmulo, claro, se ainda tivesse ossos, para mindfuckear a mente desses profanadores.
Ser sadeano é compactuar das ideias de Sade, que entre outros adjetivos, é um corruptor por essência. Corromper o outro precisa de muito mais que o sadismo social.
Talvez critiquem essa minha posição com: Está se atendo aos conceitos da moral imposta e da formatação social! Digo: talvez! Embora uma pessoa para ser sadeana precise também quebrar seus paradigmas, transpor os preconceitos iniciais de nossa formação como indivíduos sociais. É transformar o sadismo social desnecessário e criar caminhos para corromper e mindfuckear a mente do outro. De forma que isso gere prazer para ambas as partes. Sadeanos gostam do prazer compartilhado, e se não extraímos isso de quem se submete às nossas perversidades, se não corrompemos, que tipo de interesse poderia haver nesse tipo de relação?
É não negar a razão do que fazemos, e porque fazemos! Pelo contrário, compreender nossas inclinações nos dá consciência para poder trabalhar característica tão natural. Fazer, portanto, que a crueldade se torne mais intensa, eficiente e, consequentemente, mais prazerosa. Ser sadeano não é ser cruel pela simples coisa, não é apenas o prazer em infligir dor, ou prazer banal em vislumbrar a perversidade dos atos. É ser cruel com a intencionalidade de corromper ainda mais o outro, e fazer com que aquele que deseja a dor (em todos os aspectos) compreenda as suas inclinações e porquês. Isso sim tem uma significância enorme!
É claro que algo cruel e perverso nos excita. Somos sádicos porque isso independe do contexto e involuntariamente acaba gerando prazer sexual, que está intimamente ligado à grandeza e a perda de controle do ego. Então pergunto: o que é um sádico sem controle de si mesmo? Se o ser não tem uma ação dirigida para além da maldade pela maldade. Como ele poderia compreender suas inclinações se ele não tem consciência de si, quem dirá consciência do outro. Essa é a diferença entre corromper pela crueldade e a crueldade banal.
O verdadeiro mal é feito por aquele que compreende seu sadismo e consegue trabalhá-lo para além do simplista sadismo social. O sadeano é aquele que, pela inteligência, ultrapassa a barreira do prazer banal, compreende suas inclinações e sabe perfeitamente ler o outro, entendendo que o prazer sádico está atrelado ao ato de corromper. E é através da perversão que alcançamos outros patamares, além da simples e banal coisa. A maldade pela maldade, sim, traz consigo o prazer banal e sexual, porém nada mais é que uma manifestação pobre e simplista do que de fato poderia ser.
sexta-feira, 18 de maio de 2012
Perversões I - Quando corromper se torna necessidade
Quando as pessoas conseguem se ver sem máscaras, expor socialmente o que somos, pode ser uma faca de dois gumes. Sofre-se a consequências discriminatórias de ser o que é, ao passo que outras dimensões se abrem por essa mesma característica.
Amigos reunidos, é inevitável a filosofia de botiquim. Entre um gole e outro, surge a conversa sobre sadomasoquismo, BDSM e afins. Abro a brecha, explico os pontos e as diferenças, é importante sempre abrir o leque. E de tão à vontade comigo mesma, uso minhas experiências para exemplificar pontos. Espera-se a reação de estranhamento por parte do outro, mas não vem, o que surge é curiosidade, em uns mais latente que em outros. Depois, novo tópico na mesa, mais um gole.
Um amigo homossexual, mais velho que eu, e diga-se de passagem muito bonito, estava no outro lado da mesa. Ele fica meio que incomodado, se ajeita várias vezes na cadeira, e por fim não contente, faz a mesa se mover para dar espaço e colocar sua cadeira ao meu lado.
Olhos brilhando, curiosidade corroendo, excitação. Sim, eu conhecia bem essas expressões. Conversamos noite a dentro sobre fetiches. Não estava respondendo a perguntas, pelo contrário, eu o enchia de pontos de interrogação quanto aos pensamentos já tão enraizadas na mente daquela criatura.
Mais umas semanas, novos encontros, e a necessidade dele ainda estava gritando. Casa de amigos, passamos parte do dia conversando, e em outros momentos ele soltava a deixa, que era rebatida na frente de todos do grupo. Ele abaixa os olhos, fica vermelho e abre um sorriso de satisfação. Era palpável o estado de desconforto e excitação, estava começando a sentir.
Final do dia, ele vem se despedir, tinha trabalho por fazer. Me abraça e diz:
- Não sei como nem porque, mas estou morrendo de tesão por ti! Não é crise de identidade sexual, só não sei, não entendo o que tá acontecendo!
A alma sádica fervilha, e senti o primeiro gosto em corromper o outro. Sem me importar com olhos alheios perdidos na cena. Pego na nuca da criatura e dou um tapa estalado.
- Tá... Criança, amanhã conversamos sobre isso.
Ele vai embora, com o rosto quente, vermelho, excesso de sangue... Meu corpo contraí, e a mente pensa alto: Ah, vai entender sim...
Amigos reunidos, é inevitável a filosofia de botiquim. Entre um gole e outro, surge a conversa sobre sadomasoquismo, BDSM e afins. Abro a brecha, explico os pontos e as diferenças, é importante sempre abrir o leque. E de tão à vontade comigo mesma, uso minhas experiências para exemplificar pontos. Espera-se a reação de estranhamento por parte do outro, mas não vem, o que surge é curiosidade, em uns mais latente que em outros. Depois, novo tópico na mesa, mais um gole.
Um amigo homossexual, mais velho que eu, e diga-se de passagem muito bonito, estava no outro lado da mesa. Ele fica meio que incomodado, se ajeita várias vezes na cadeira, e por fim não contente, faz a mesa se mover para dar espaço e colocar sua cadeira ao meu lado.
Olhos brilhando, curiosidade corroendo, excitação. Sim, eu conhecia bem essas expressões. Conversamos noite a dentro sobre fetiches. Não estava respondendo a perguntas, pelo contrário, eu o enchia de pontos de interrogação quanto aos pensamentos já tão enraizadas na mente daquela criatura.
Mais umas semanas, novos encontros, e a necessidade dele ainda estava gritando. Casa de amigos, passamos parte do dia conversando, e em outros momentos ele soltava a deixa, que era rebatida na frente de todos do grupo. Ele abaixa os olhos, fica vermelho e abre um sorriso de satisfação. Era palpável o estado de desconforto e excitação, estava começando a sentir.
Final do dia, ele vem se despedir, tinha trabalho por fazer. Me abraça e diz:
- Não sei como nem porque, mas estou morrendo de tesão por ti! Não é crise de identidade sexual, só não sei, não entendo o que tá acontecendo!
A alma sádica fervilha, e senti o primeiro gosto em corromper o outro. Sem me importar com olhos alheios perdidos na cena. Pego na nuca da criatura e dou um tapa estalado.
- Tá... Criança, amanhã conversamos sobre isso.
Ele vai embora, com o rosto quente, vermelho, excesso de sangue... Meu corpo contraí, e a mente pensa alto: Ah, vai entender sim...
domingo, 29 de janeiro de 2012
Sonhos, necessidades transbordam.
Capuz sobre a face, escuridão. Ouço o canto gregoriano dos monges vibrando pelos corredores de um mosteiro qualquer.
Saber onde e como, Morpheu não permite isso em seu mundo. Lembro dos meus quando chego nesse estado, quase um transbordar da alma, dos sentidos, da necessidade.
Corpo nu, imobilizado por cordas. O cheiro da madeira, poeira e mofo. Porta se abre, corpos a se mover, palavras em língua desconhecida.
A carne profana é analisada por mãos ásperas, esticada para a purificação através da dor.
Retirado o capuz, dor nos olhos, claridade de velas. Forço uma saída desesperada, as cordas cortam, vejo os vultos se locomovendo pela sala. E me deparo com uma parede em pedra, sebosa de mofo e repleta de materiais de tortura.
Sem esperar momento, sem critérios, sem preparação, sem uma palavra proferida que eu pudesse compreender, os acoites vieram, por quantas mãos não sei, mas uma apenas não poderia causar aquilo.
A carne das costas e pernas esquenta.. aquela sensação conhecida... fogo... o prazer em sentir os cortes a se fazer, a carne a se abrir.. o cheiro de sangue. Tentei gritar, mas não tinha voz.. não conseguir gritar.. um grito mudo.. um abrir de boca e estourar de tímpanos. Os cantos a ecoar...
Mãos me pegam e viram meus sentidos ao avesso, as pernas não se sustentam mais. O corpo é virado de frente... os olhos se abrem...duas criaturas, monges de cabeça e corpos cobertos.
Chorei um choro mudo e sem lágrimas, e ri endemoniada aos chicotes que estalaram a carne...o corpo não se sustenta mais... treme... vejo a carne dos peitos das pernas se dilacerar... quente.. escorrendo de mim.
Acordei assim, tremendo com vontade de gozar e urinar...meio atordoada, sem muito tempo ou equilíbrio para chegar o banheiro, sinto os esguichos saindo.... gozo vem... ainda escuto ao fundo a música que consome.
Saber onde e como, Morpheu não permite isso em seu mundo. Lembro dos meus quando chego nesse estado, quase um transbordar da alma, dos sentidos, da necessidade.
Corpo nu, imobilizado por cordas. O cheiro da madeira, poeira e mofo. Porta se abre, corpos a se mover, palavras em língua desconhecida.
A carne profana é analisada por mãos ásperas, esticada para a purificação através da dor.
Retirado o capuz, dor nos olhos, claridade de velas. Forço uma saída desesperada, as cordas cortam, vejo os vultos se locomovendo pela sala. E me deparo com uma parede em pedra, sebosa de mofo e repleta de materiais de tortura.
Sem esperar momento, sem critérios, sem preparação, sem uma palavra proferida que eu pudesse compreender, os acoites vieram, por quantas mãos não sei, mas uma apenas não poderia causar aquilo.
A carne das costas e pernas esquenta.. aquela sensação conhecida... fogo... o prazer em sentir os cortes a se fazer, a carne a se abrir.. o cheiro de sangue. Tentei gritar, mas não tinha voz.. não conseguir gritar.. um grito mudo.. um abrir de boca e estourar de tímpanos. Os cantos a ecoar...
Mãos me pegam e viram meus sentidos ao avesso, as pernas não se sustentam mais. O corpo é virado de frente... os olhos se abrem...duas criaturas, monges de cabeça e corpos cobertos.
Chorei um choro mudo e sem lágrimas, e ri endemoniada aos chicotes que estalaram a carne...o corpo não se sustenta mais... treme... vejo a carne dos peitos das pernas se dilacerar... quente.. escorrendo de mim.
Acordei assim, tremendo com vontade de gozar e urinar...meio atordoada, sem muito tempo ou equilíbrio para chegar o banheiro, sinto os esguichos saindo.... gozo vem... ainda escuto ao fundo a música que consome.
segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
Natal, família e outras atrocidades.
Datas comemorativas como natal nunca foram muito meu forte: família, festividades isso e aquilo, claro que é um tanto divertido, mas esse natal foi um tanto mais...
Fui para casa de meus pais, casa cheia, tios, primos e toda parafernalha necessária nesses momentos. Desde que comecei a brincar com cordas, sempre levo alguma a tira colo, se estiver entediada, tenho com o que brincar.
Natal e etc, nesse contexto não foi muito diferente, peguei minhas cordas e coloquei na bolsa por via das dúvidas.
E lá em seus momentos, entro no quarto de meu irmão, conversa aqui e ali. Já havíamos conversado um pouco sobre shibari, tiro as cordas da bolsa e começo a mostrar os nós. Interesse demonstrado, até o ponto em que olho para ele, e sem cerimônia, pego o braço e começo a amarrar, braços para trás, desenho a corda nos seus ombros e braços e assim vou brincando, até chegar a um the dragonfly sleeve. Foi a primeira tentativa em amarrar um corpo masculino, a sensação é tão divertida que eu parecia criança com presente nas mãos. O quanto é impressionante como as cordas se adaptam ao corpo e vice-versa.
O prazer em olhar os nós bem feitos, a simetria, a sacanagem em pensar nas possibilidades. Deito o corpo dele de bruços na cama, ele me olha e diz: - O que é que você vai fazer?! Palavras sarcásticas me vem a mente, mas mantenho a boca fechada. Porta aberta, passam tios com olhos estufados, mas sem nenhuma palavra. Eu apenas ria em contemplação a cena hilária.
Amarro os pés, dobro os joelhos e levo as cordas até as amarras das mãos, um hogtie bem elaborado.
Encosta na porta para observar minha irmã e o namorado, e como quem pensa alto, ele solta: - Já vi esses nós! A alma sádica fervilhado responde: - É mesmo, onde? O cara fica branco, engole em seco, e meio que balbucia: não lembro, de algum lugar. Eu fervilho por dentro, risada irônica, eles se afastam.
Tentativas de fotos com a câmera do celular, que não deu muito certo, mas isso não importava.
Paro, olho pra cena, ninguém mais perturba... a brincadeira não precisa ter conotação sexual pra ser divertida. Lembro, sim ele morre de cocegas! E eu judio um pouquinho, e racho que rir com os berros de desespero dele, mesclados entre gritos e gargalhadas.
Brincadeira interrompida pelo olhar assustado e protetor de minha mãe. Desamarro as cordas, e para minha surpresa final, vem a deixa de meu irmão: estranho, mas divertido!
Enquanto que para alguns, omitir se torna um fetiche, para mim, em muitos momentos, escancarar tem se tornada muito mais interessante!
Fui para casa de meus pais, casa cheia, tios, primos e toda parafernalha necessária nesses momentos. Desde que comecei a brincar com cordas, sempre levo alguma a tira colo, se estiver entediada, tenho com o que brincar.
Natal e etc, nesse contexto não foi muito diferente, peguei minhas cordas e coloquei na bolsa por via das dúvidas.
E lá em seus momentos, entro no quarto de meu irmão, conversa aqui e ali. Já havíamos conversado um pouco sobre shibari, tiro as cordas da bolsa e começo a mostrar os nós. Interesse demonstrado, até o ponto em que olho para ele, e sem cerimônia, pego o braço e começo a amarrar, braços para trás, desenho a corda nos seus ombros e braços e assim vou brincando, até chegar a um the dragonfly sleeve. Foi a primeira tentativa em amarrar um corpo masculino, a sensação é tão divertida que eu parecia criança com presente nas mãos. O quanto é impressionante como as cordas se adaptam ao corpo e vice-versa.
O prazer em olhar os nós bem feitos, a simetria, a sacanagem em pensar nas possibilidades. Deito o corpo dele de bruços na cama, ele me olha e diz: - O que é que você vai fazer?! Palavras sarcásticas me vem a mente, mas mantenho a boca fechada. Porta aberta, passam tios com olhos estufados, mas sem nenhuma palavra. Eu apenas ria em contemplação a cena hilária.
Amarro os pés, dobro os joelhos e levo as cordas até as amarras das mãos, um hogtie bem elaborado.
Encosta na porta para observar minha irmã e o namorado, e como quem pensa alto, ele solta: - Já vi esses nós! A alma sádica fervilhado responde: - É mesmo, onde? O cara fica branco, engole em seco, e meio que balbucia: não lembro, de algum lugar. Eu fervilho por dentro, risada irônica, eles se afastam.
Tentativas de fotos com a câmera do celular, que não deu muito certo, mas isso não importava.
Paro, olho pra cena, ninguém mais perturba... a brincadeira não precisa ter conotação sexual pra ser divertida. Lembro, sim ele morre de cocegas! E eu judio um pouquinho, e racho que rir com os berros de desespero dele, mesclados entre gritos e gargalhadas.
Brincadeira interrompida pelo olhar assustado e protetor de minha mãe. Desamarro as cordas, e para minha surpresa final, vem a deixa de meu irmão: estranho, mas divertido!
Enquanto que para alguns, omitir se torna um fetiche, para mim, em muitos momentos, escancarar tem se tornada muito mais interessante!
terça-feira, 8 de novembro de 2011
Relatório masturbatório
Retornar ao texto Marcas de sangue, ancia em lê-lo, apenas mais uma vez...
Fechei os olhos, sorri desejosa por estar na oficina de tortura e ser aquele manequim imóvel, indefeso.
O compasso do estroboscópio em sintonia com as chibatadas. Uma pequena audição musical regulada pelo “metrônomo luz”, o som entrelaçado e harmonioso do estalado do couro na pele, os gemidos e suspiros deliciosos. Imagens congeladas, a beleza da cena. A pele macerando a cada beijo dos fios, saudade torturante da dor no corpo e alma, a pele queimando como fogo, desespero por não poder auto infligir esses prazeres em minha carne com tanta primazia, com tanto prazer. A dor sem humilhação, sem controle, de nada servem aos meus sentidos.
Sai do mundo dos sonhos. Mexi as pernas na cadeira, e ao fazê-lo senti o molhado entre as pernas.
Ideias vem a mente, busca ansiosa por aparatos: plug, pênis e alguns prendedores, cinto de
couro mais pesado, outro mais longo com a espessura de um dedo.
Espelho, a imagem da necessidade refletida...os cabelos ligeiramente bagunçados, os olhos pesados
pela hora da madrugada...
Olhar sobre o corpo não perfeito, pernas longas e grossas demais, a barriga saliente que ainda resiste em permanecer aqui, o busto grande, os ombros largos. Ainda assim, imperfeita, gosto no que se vê.
Despir as roupas, observar a pele branca sem marcas, lembrar dos vergões desenhando a pele em roxo avermelhado.
De joelhos diante do espelho, toquei o peito, apliquei pequenos castigos. Torções, respiração acelera, ainda não o suficiente, os olhos ainda não lacrimejaram de dor.. mais... o corpo treme, e assim aparecem as sensações já conhecidas, a imagem no espelho saem de foco.
De costas para a imagem refletida, de quatro, queria ver as entradas, uma nem ainda usada como deveria.
O corpo apoiado em um dos braços, uma das mãos a passear pelos orifícios, olhos curiosos por sobre o ombro, é diferente e exitante vislumbrar-se assim. Lembrei de Anais Nin em suas experimentações literárias.
Os dedos escorregando por entre as pernas, um deles introduzi, e o deixei passear vagarosamente pelo espaço ainda não explorado. Alcancei o plug, o enfiei na boca, chupei.. força-lo sem cerimônias. Sento o corpo sobre as pernas, o troco ereto, o cinto de couro mais grosso, as lambadas começam, sequencias. Desferir os golpes sobre a carne. Mais uma sequência, a respiração acelera, os gemidos sutis surgem, a carne queima quando toca a pele sensível. Mais uma sequência, o corpo a tremer,sentir o plug a cada vibração, a parte interna das coxas deslizam. Pênis, enfiei ainda com o vibra desligado.Olhei por sobre o ombro o corpo no espelho, os vergões vermelhos bem marcados a desenhar a carne.
Brincadeiras, olhar sair e penetrar novamente, tirei totalmente o pênis e vi o fio transparente a esticar, voltei a enfiá-lo, e deixei parado. Precisava das mãos livre. Peguei o outro cinto de couro, o mais fino. Enrolei uma das pontas um pouco na mão, de forma que ficasse um pouco mais curto. Voltei a posição, corpo ereto, desferi lambadas nas pernas, na pele sensível das coxas. A cada toque, a pele queimava como brasa, gemia e ria ao mesmo tempo. O corpo começa tremer, sem forças, rebolei em torno do pau artificial, que teimava em escorregar, em sair de mim,e sim, desejei um de fato, e desejei a dor que consome, até agora havia sido insuficiente. Com o movimento do corpo os prendedores dos peitos voaram longe, não tive paciência pra ir buscá-los..Liguei o vibra, soltei um pouco mais do cinto, e voltei a lambadas nas costas. Não suportaria segurar o gozo por muito tempo. Bati o cinto com prazer, queria tudo. Não sei em qual das contas o braço não conseguia se levantar mais, não tinha forças. O corpo prostrado de quatro vibrava, minha cara no chão, a respiração e gemidos se entrelaçavam, senti o gozo, torci um dos bicos com tanta força que pensei que o arrancaria fora, e assim 'la petite mort' me acolheu mais uma vez. Contrai o corpo, e deixei-me assim, tremendo e gemendo até não suportar mais, totalmente compulsiva e viciada.
La Vênus del Espejos - Por Diego Velázquez
sábado, 5 de novembro de 2011
A Vênus das Peles e o Masoquismo
A leitura dos “clássicos” como Masoch e Sade vieram tarde, mas de certa forma, a maturidade de hoje propicia boa qualidade na leitura, culminando num leque mais amplo de divagações. Escrever é um vomitar da mente, é expurgar pensamentos, tenho essa necessidade latente a anos.
Pensar sobre masoquismo, requer leitura e experimentações, li em Freud, mas creio que Masoch é a ponta, o feeling em tudo isso. Livros são repositórios do pensar, links que podem expandir e conectar a mente em outras frequências. Claro, sou uma viciada!
Um pensar que gosto muito, a visão de Sartre a respeito da leitura: o texto só adquire sentido estético quando o leitor, pela sua consciência imaginante, cria significado para as frases. Por polir o texto com sua imaginação criadora, o leitor pode expandir-se em criador, atuando como reagente literário. O artista se confunde com a obra, é o olhar imaginante do leitor que se responsabiliza pela criação.
Fazendo uso de minha liberdade e imaginação criadora. Pensando um pouco sobre masoquismo, e suas origens e bases. Vamos ao primeiro: A Vênus das Peles de Sacher Masoch.
Fazendo uso de minha liberdade e imaginação criadora. Pensando um pouco sobre masoquismo, e suas origens e bases. Vamos ao primeiro: A Vênus das Peles de Sacher Masoch.
A Vênus e Severin.
Severin é desejo, e vive suas aspirações num perspectiva idealizada. De forma poética, ele almeja a Vênus das Peles, e encontra em Wanda o esteriótipo para exteriorização de si mesmo. Gregor, carrega a carga emocional de seu tempo, a idolatria e a busca pelo inalcançável. Pura influência de Goethe, na literatura de Masoch. E creio que, sejam esses os fatores base, para o jogo de manipulação, e a busca incontrolável em fazer Wanda, se adequar aos moldes que ele tanto necessita.
Gregor é parecido com Werther, a idolatria, o sofrimento, a frustração e a fuga. No caso de Severin, o desejo é tão idealizado, que na perceptiva de alcançá-lo, frustra-se com facilidade, tangenciando o caminho. Penso eu que, Gregor sente mais prazer na manipulação de Wanda, do que no próprio prazer do sofrimento. Os dois nesse caso, caminham juntos, e quando ele perde uma das pontas, se sente perdido na busca, no prazer e no próprio desejar.
Gregor é parecido com Werther, a idolatria, o sofrimento, a frustração e a fuga. No caso de Severin, o desejo é tão idealizado, que na perceptiva de alcançá-lo, frustra-se com facilidade, tangenciando o caminho. Penso eu que, Gregor sente mais prazer na manipulação de Wanda, do que no próprio prazer do sofrimento. Os dois nesse caso, caminham juntos, e quando ele perde uma das pontas, se sente perdido na busca, no prazer e no próprio desejar.
Vejo Masoch, como a ponta do pensar em tudo isso. O sofrimento e prazer, se encontram sim, em Severin. E é impossível comparar a leitura de seu tempo com nossos olhos. Como se pautar no “masoquismo” de Severin para trabalhar com o “esteriótipo de masoquista” que temos hoje?
Li as palavras de Aurorah, a elfa de meu Professor, que tinham o seguinte dizer: “Severin um idealizador, que nunca está satisfeito e se entrega mais a uma ilusão e fantasia do que a realização com as coisas que de fato acontecem” E creio mesmo que esse seja o ponto, Severin vive fantasia, portanto a idealização é tamanha que se torna inalcançável. Quando se aproxima da realização, do desejo inicial, se frustra, vivendo um eterno desconforto, uma eterna busca pelo inalcançável.
Outra questão muito pertinente e interessante, que surgiu nesse mesmo comentário:
“Fico pensando que existe uma verdade nisso nos que se dizem masoquistas atualmente, a vontade de cada vez ir mais longe, aguentar mais, chegar a outros patamares e fantasias mais complexas”.
Sinceramente, creio que essa seja uma “característica do masoquista”, uma necessidade!
Para trabalhar o masoquismo sem fugir da perspectiva de Masoch, preciso abrir dois parênteses, vejo muita diferença na submissão e no masoquismo. A submissão é entrega plena, aceita-se como é, e abdica-se de si mesmo em detrimento do outro, e sentir prazer nisso, creio que essa, é a ideia base. Quanto ao masoquismo, a entrega acontece em primeira instância a si mesmo, para depois se completar na entrega ao outro.
A necessidade de ir além:
Se pensarmos, a dor faz parte do indivíduo, faz parte de seu processo de crescimento sensível e de adaptação ao mundo físico e social. O ponto em questão é, o que que faz um ser, sentir necessidade, desejo na dor, seja ela emocional ou física. Já que a grande maioria não tem facilidade para trabalhá-la.
Sempre pensei no masoquista como um dos extremos, desejar a dor é desafiar de si mesmo, é abrir as portas do sentir. Entregar-se a dor é um limite, um liminar, uma linha tênue para sentidos, para sensações.. é o uso extremo do corpo e mente. É uma batalha interna em saber o quando disso posso suportar, o quanto isso posso sentir, o quanto minha dor satisfaz o outro, o quanto isso me traz questionamentos, compreensões e divagações da mente. O quanto, e como posso converter e somar a dor em prazer, em gozo.
Não é a toa, que a dor, é um limite para muitos. Mesmo que essa característica faça parte de todos os seres.
Se pensarmos, a dor faz parte do indivíduo, faz parte de seu processo de crescimento sensível e de adaptação ao mundo físico e social. O ponto em questão é, o que que faz um ser, sentir necessidade, desejo na dor, seja ela emocional ou física. Já que a grande maioria não tem facilidade para trabalhá-la.
Sempre pensei no masoquista como um dos extremos, desejar a dor é desafiar de si mesmo, é abrir as portas do sentir. Entregar-se a dor é um limite, um liminar, uma linha tênue para sentidos, para sensações.. é o uso extremo do corpo e mente. É uma batalha interna em saber o quando disso posso suportar, o quanto isso posso sentir, o quanto minha dor satisfaz o outro, o quanto isso me traz questionamentos, compreensões e divagações da mente. O quanto, e como posso converter e somar a dor em prazer, em gozo.
Não é a toa, que a dor, é um limite para muitos. Mesmo que essa característica faça parte de todos os seres.
O desconforto, a idealização e a eterna busca em Severin, ao meu ver se encaixa perfeitamente no masoquista hoje. O desconforto seja qual for, tira o sujeito de sua zona de conforto, e ao fazer isso, as percepções se ampliam. É a eterna busca, o desejo de sempre ir além.
O desejo move o ser, e o prazer o completa.
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