"Escreva para destruir o texto, mas alimente-se. Fartamente. Depois vomite. E isso pode ser muito pessoal, escrever é enfiar o dedo na garganta. Depois, claro, você peneira essa gosma, amolda-a, transforma. Pode sair até uma flor. Mas o momento decisivo é o dedo na garganta. Escrever - pode eliminar essa sensação de gratuidade no existir, de coisas o tempo todo fugindo e se transformando em passado. Então vai, escreve e diz tudo e rasga o coração, as vísceras, expõe tudo, grita, esperneia - no papel. Isso é escrever. Tirar sangue com as unhas. E não importa a forma, não importa a "função social", não importa que, a princípio, seja apenas uma espécie de auto - exorcismo. Mas tem que sangrar a-bun-dan-te-men-te." Caio Fernando de Abreu.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Natal, família e outras atrocidades.

Datas comemorativas como natal nunca foram muito meu forte:  família, festividades isso e aquilo, claro que é um tanto divertido, mas esse natal foi um tanto mais...

Fui para casa de meus pais, casa cheia, tios, primos e toda parafernalha necessária nesses momentos. Desde que comecei a brincar com cordas, sempre levo alguma a tira colo, se estiver entediada, tenho com o que brincar.
Natal e etc, nesse contexto não foi muito diferente, peguei minhas cordas e coloquei na bolsa por via das dúvidas.

E lá em seus momentos, entro no quarto de meu irmão, conversa aqui e ali. Já havíamos conversado um pouco sobre shibari, tiro as cordas da bolsa e começo a mostrar os nós. Interesse demonstrado, até o ponto em que olho para ele, e sem cerimônia, pego o braço e começo a amarrar, braços para trás, desenho a corda nos seus ombros e braços e assim vou brincando, até chegar a um the dragonfly sleeve.  Foi a primeira tentativa em amarrar um corpo masculino, a sensação é tão divertida que eu parecia criança com presente nas mãos. O quanto é impressionante como as cordas se adaptam ao corpo e vice-versa.
O prazer em olhar os nós bem feitos, a simetria, a sacanagem em pensar nas possibilidades. Deito o corpo dele de bruços na cama, ele me olha e diz: - O que é que você vai fazer?!  Palavras sarcásticas me vem a mente, mas mantenho a boca fechada.  Porta aberta, passam tios com olhos estufados, mas sem nenhuma palavra. Eu apenas ria em contemplação a cena hilária.
Amarro os pés, dobro os joelhos e levo as cordas até as amarras das mãos, um hogtie bem elaborado.
Encosta na porta para observar minha irmã e o namorado, e como quem pensa alto, ele solta:  - Já vi esses nós! A alma sádica fervilhado responde: - É mesmo, onde? O cara fica branco, engole em seco, e meio que balbucia: não lembro, de algum lugar. Eu fervilho por dentro, risada irônica, eles se afastam.
Tentativas de fotos com a câmera do celular, que não deu muito certo, mas isso não importava.
Paro, olho pra cena, ninguém mais perturba... a brincadeira não precisa ter conotação sexual pra ser divertida. Lembro, sim ele morre de cocegas! E eu judio um pouquinho, e racho que rir com os berros de desespero dele,  mesclados entre gritos e gargalhadas.
Brincadeira interrompida pelo olhar assustado e protetor de minha mãe. Desamarro as cordas, e para minha surpresa final, vem a deixa de meu irmão: estranho, mas divertido!

Enquanto que para alguns, omitir se torna um fetiche, para mim, em muitos momentos, escancarar tem se tornada muito mais interessante!


3 comentários:

  1. :D
    Quando voltar, leio e comento com calma...
    bjks

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  2. Eu ri demais... tu coloca um cara de bruços a primeira coisa que vem a nossa mente é... ei, espera, o que vai fazer???
    Sabe akeles ônibus quando estão dando ré, que tocam uma sirene, tipo, cuidado que estou afastando, sai de trás. É mais ou menos como a gente (homens) funciona!
    Eu ri demais!!!
    kkkkkkkkkkkkkkkk
    Bjus.

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