"Escreva para destruir o texto, mas alimente-se. Fartamente. Depois vomite. E isso pode ser muito pessoal, escrever é enfiar o dedo na garganta. Depois, claro, você peneira essa gosma, amolda-a, transforma. Pode sair até uma flor. Mas o momento decisivo é o dedo na garganta. Escrever - pode eliminar essa sensação de gratuidade no existir, de coisas o tempo todo fugindo e se transformando em passado. Então vai, escreve e diz tudo e rasga o coração, as vísceras, expõe tudo, grita, esperneia - no papel. Isso é escrever. Tirar sangue com as unhas. E não importa a forma, não importa a "função social", não importa que, a princípio, seja apenas uma espécie de auto - exorcismo. Mas tem que sangrar a-bun-dan-te-men-te." Caio Fernando de Abreu.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Mogwai

Nunca fui muito boa com datas comemorativas.

Véspera de natal, alguns anos atrás.
Tinha trabalhado horrores durante o dia e estava cansada.  Não tinha muito o que fazer, o programa do feriado seria livro, café e algum som. Em última hora um amigo me chama para ir à sua casa que mais um estava indo também. Afinal, nada melhor que três perdidos juntos.

Conversas, cigarros e algumas garrafas de vinho tinto seco misturado com cachaça de alambique... o que chamávamos de Lorem Ipsum Dolor.

E entre conversas sacanas vem no play o som de Mogwai, até então desconhecido para mim.
A expansão de si mesmo dentro das camadas de som e a sensação nítida do universo estendendo-se pelo toque e pela vibração entre os corpos e as fodeções.
Gosto da memória não linear. Tira-se muito mais do caos.
Três corpos, dois pintos, uma boceta, três cus, três bocas, infinitos dedos, um som.




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