"Escreva para destruir o texto, mas alimente-se. Fartamente. Depois vomite. E isso pode ser muito pessoal, escrever é enfiar o dedo na garganta. Depois, claro, você peneira essa gosma, amolda-a, transforma. Pode sair até uma flor. Mas o momento decisivo é o dedo na garganta. Escrever - pode eliminar essa sensação de gratuidade no existir, de coisas o tempo todo fugindo e se transformando em passado. Então vai, escreve e diz tudo e rasga o coração, as vísceras, expõe tudo, grita, esperneia - no papel. Isso é escrever. Tirar sangue com as unhas. E não importa a forma, não importa a "função social", não importa que, a princípio, seja apenas uma espécie de auto - exorcismo. Mas tem que sangrar a-bun-dan-te-men-te." Caio Fernando de Abreu.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Relatório masturbatório

Retornar ao texto Marcas de sangue, ancia em lê-lo, apenas mais uma vez...
Fechei os olhos, sorri desejosa por estar na oficina de tortura e ser aquele manequim imóvel, indefeso.
O compasso do estroboscópio em sintonia com as chibatadas. Uma pequena audição musical regulada pelo “metrônomo luz”, o som entrelaçado e harmonioso do estalado do couro na pele, os gemidos e suspiros deliciosos. Imagens congeladas, a beleza da cena. A pele macerando a cada beijo dos fios, saudade torturante da dor no corpo e alma,  a pele queimando como fogo, desespero por não poder auto infligir esses prazeres em minha carne com tanta primazia, com tanto prazer. A dor sem humilhação, sem controle, de nada servem aos meus sentidos.
Sai do mundo dos sonhos. Mexi as pernas na cadeira, e ao fazê-lo senti o molhado entre as pernas.
Ideias vem a mente, busca ansiosa por aparatos:  plug,  pênis e alguns prendedores, cinto de
couro mais pesado, outro mais longo com a espessura de um dedo.
Espelho, a imagem da necessidade refletida...os cabelos ligeiramente bagunçados, os olhos pesados
pela hora da madrugada...
Olhar sobre o corpo não perfeito, pernas longas e grossas demais, a barriga saliente que ainda resiste em permanecer aqui, o busto grande, os ombros largos. Ainda assim, imperfeita, gosto no que se vê.
Despir as roupas, observar a pele branca sem marcas, lembrar dos vergões desenhando a pele em roxo avermelhado.
De joelhos diante do espelho, toquei o peito,  apliquei pequenos castigos. Torções, respiração acelera, ainda não o suficiente, os olhos ainda não lacrimejaram de dor..  mais... o corpo treme, e assim aparecem as sensações já conhecidas, a imagem no espelho saem de foco. 
De costas para a imagem refletida, de quatro, queria ver as entradas, uma nem ainda usada como deveria. 
O corpo apoiado em um dos braços,  uma das mãos a passear pelos orifícios, olhos curiosos por sobre o ombro, é diferente e exitante vislumbrar-se assim. Lembrei de Anais Nin em suas experimentações literárias. 
Os dedos escorregando por entre as pernas,  um deles introduzi, e o deixei passear vagarosamente pelo espaço ainda não explorado. Alcancei o plug, o enfiei na boca, chupei.. força-lo sem cerimônias. Sento o corpo sobre as pernas, o troco ereto, o cinto de couro mais grosso, as lambadas começam, sequencias. Desferir os golpes sobre a carne. Mais uma sequência, a respiração acelera, os gemidos sutis surgem, a carne queima quando toca a pele sensível. Mais uma sequência, o corpo a tremer,sentir o plug a cada vibração, a parte interna das coxas deslizam. Pênis, enfiei ainda com o vibra desligado.Olhei por sobre o ombro o corpo no espelho, os vergões vermelhos bem marcados a desenhar a carne.
Brincadeiras, olhar sair e penetrar novamente, tirei totalmente o pênis e vi o fio transparente a esticar, voltei a enfiá-lo, e deixei parado. Precisava das mãos livre. Peguei o outro cinto de couro, o mais fino. Enrolei uma das pontas um pouco na mão, de forma que ficasse um pouco mais curto. Voltei a posição, corpo ereto, desferi lambadas nas pernas, na pele sensível das coxas. A cada toque, a pele queimava como brasa, gemia e ria ao mesmo tempo. O corpo começa tremer, sem forças, rebolei em torno do pau artificial, que teimava em escorregar, em sair de mim,e sim,  desejei um de fato, e desejei a dor que consome, até agora havia sido insuficiente. Com o movimento do corpo os prendedores dos peitos voaram longe, não tive paciência pra ir buscá-los..Liguei o vibra, soltei um pouco mais do cinto, e voltei a lambadas nas costas. Não suportaria segurar o gozo por muito tempo. Bati o cinto com prazer, queria tudo. Não sei em qual das contas o braço não conseguia se levantar mais, não tinha forças. O corpo prostrado de quatro vibrava, minha cara no chão, a respiração e gemidos se entrelaçavam, senti o gozo,  torci um dos bicos com tanta força que pensei que o arrancaria fora, e assim 'la petite mort' me acolheu mais uma vez. Contrai o corpo, e deixei-me assim, tremendo e gemendo até não suportar mais, totalmente compulsiva e viciada. 

 La Vênus del Espejos - Por Diego Velázquez

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