"Escreva para destruir o texto, mas alimente-se. Fartamente. Depois vomite. E isso pode ser muito pessoal, escrever é enfiar o dedo na garganta. Depois, claro, você peneira essa gosma, amolda-a, transforma. Pode sair até uma flor. Mas o momento decisivo é o dedo na garganta. Escrever - pode eliminar essa sensação de gratuidade no existir, de coisas o tempo todo fugindo e se transformando em passado. Então vai, escreve e diz tudo e rasga o coração, as vísceras, expõe tudo, grita, esperneia - no papel. Isso é escrever. Tirar sangue com as unhas. E não importa a forma, não importa a "função social", não importa que, a princípio, seja apenas uma espécie de auto - exorcismo. Mas tem que sangrar a-bun-dan-te-men-te." Caio Fernando de Abreu.
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quinta-feira, 23 de maio de 2013
Perverções II - Fazer a feira
-Tarefa do dia: quero que vá "fazer a feira".
- No domingo?
- É, no domingo!
Ele me olha desconfiado, a mais de um mês começamos o treinamento anal com vegetais. Passo a lista e peço que me ligue quando chegar.
Meia hora.
- Pronto, Sra.
- Quero que compre o pepino japonês primeiro. Vá em três barracas diferentes em que eles estejam bonitos, separe os melhores, coloque em fileira, tire a foto e me envie.
- Como?
Paciência.
- Vá em três barracas diferentes em que os pepinos estejam bonitos, separe os melhores, coloque em fileira, tire a foto e me envie.. Alguma dúvida?
- Para que a foto Sra?
- Preciso ver quais vou querer usar em seu cu.
Posso ouvir o gaguejar do outro lado.
- Alguma dúvida?
- Não Sra.
- Ótimo.
- Mas as pessoas vão me olhar estranho.
- Só porque vai tirar fotos de pepinos, estranho vai ser quanto tu ver eles inteiros enfiados.
- A última vez: dúvidas?
- Não, Sra.
Demora mais vem...
Barraca 1
Barraca 2
Barraca 3
- Está em qual barraca?
- Terceira.
- Ótimo.
- Apalpe os pepinos pra mim e descreva a consistência?
- Duro... acho.
- Pergunte pro feirante se estão maduros?
- Como?
- Coloca no viva-voz.
- Oi, bom dia Sr. Pode me informar se esses pepinos estão verdes ou se estão com as pontas murchas?
- Oh, não não... Estão ótimos. Muito bons.
- Não é para comer Sr.
Imaginei o feirante japonês velhinho e de cabeça branca a matutar.
domingo, 29 de janeiro de 2012
Sonhos, necessidades transbordam.
Capuz sobre a face, escuridão. Ouço o canto gregoriano dos monges vibrando pelos corredores de um mosteiro qualquer.
Saber onde e como, Morpheu não permite isso em seu mundo. Lembro dos meus quando chego nesse estado, quase um transbordar da alma, dos sentidos, da necessidade.
Corpo nu, imobilizado por cordas. O cheiro da madeira, poeira e mofo. Porta se abre, corpos a se mover, palavras em língua desconhecida.
A carne profana é analisada por mãos ásperas, esticada para a purificação através da dor.
Retirado o capuz, dor nos olhos, claridade de velas. Forço uma saída desesperada, as cordas cortam, vejo os vultos se locomovendo pela sala. E me deparo com uma parede em pedra, sebosa de mofo e repleta de materiais de tortura.
Sem esperar momento, sem critérios, sem preparação, sem uma palavra proferida que eu pudesse compreender, os acoites vieram, por quantas mãos não sei, mas uma apenas não poderia causar aquilo.
A carne das costas e pernas esquenta.. aquela sensação conhecida... fogo... o prazer em sentir os cortes a se fazer, a carne a se abrir.. o cheiro de sangue. Tentei gritar, mas não tinha voz.. não conseguir gritar.. um grito mudo.. um abrir de boca e estourar de tímpanos. Os cantos a ecoar...
Mãos me pegam e viram meus sentidos ao avesso, as pernas não se sustentam mais. O corpo é virado de frente... os olhos se abrem...duas criaturas, monges de cabeça e corpos cobertos.
Chorei um choro mudo e sem lágrimas, e ri endemoniada aos chicotes que estalaram a carne...o corpo não se sustenta mais... treme... vejo a carne dos peitos das pernas se dilacerar... quente.. escorrendo de mim.
Acordei assim, tremendo com vontade de gozar e urinar...meio atordoada, sem muito tempo ou equilíbrio para chegar o banheiro, sinto os esguichos saindo.... gozo vem... ainda escuto ao fundo a música que consome.
Saber onde e como, Morpheu não permite isso em seu mundo. Lembro dos meus quando chego nesse estado, quase um transbordar da alma, dos sentidos, da necessidade.
Corpo nu, imobilizado por cordas. O cheiro da madeira, poeira e mofo. Porta se abre, corpos a se mover, palavras em língua desconhecida.
A carne profana é analisada por mãos ásperas, esticada para a purificação através da dor.
Retirado o capuz, dor nos olhos, claridade de velas. Forço uma saída desesperada, as cordas cortam, vejo os vultos se locomovendo pela sala. E me deparo com uma parede em pedra, sebosa de mofo e repleta de materiais de tortura.
Sem esperar momento, sem critérios, sem preparação, sem uma palavra proferida que eu pudesse compreender, os acoites vieram, por quantas mãos não sei, mas uma apenas não poderia causar aquilo.
A carne das costas e pernas esquenta.. aquela sensação conhecida... fogo... o prazer em sentir os cortes a se fazer, a carne a se abrir.. o cheiro de sangue. Tentei gritar, mas não tinha voz.. não conseguir gritar.. um grito mudo.. um abrir de boca e estourar de tímpanos. Os cantos a ecoar...
Mãos me pegam e viram meus sentidos ao avesso, as pernas não se sustentam mais. O corpo é virado de frente... os olhos se abrem...duas criaturas, monges de cabeça e corpos cobertos.
Chorei um choro mudo e sem lágrimas, e ri endemoniada aos chicotes que estalaram a carne...o corpo não se sustenta mais... treme... vejo a carne dos peitos das pernas se dilacerar... quente.. escorrendo de mim.
Acordei assim, tremendo com vontade de gozar e urinar...meio atordoada, sem muito tempo ou equilíbrio para chegar o banheiro, sinto os esguichos saindo.... gozo vem... ainda escuto ao fundo a música que consome.
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