"Escreva para destruir o texto, mas alimente-se. Fartamente. Depois vomite. E isso pode ser muito pessoal, escrever é enfiar o dedo na garganta. Depois, claro, você peneira essa gosma, amolda-a, transforma. Pode sair até uma flor. Mas o momento decisivo é o dedo na garganta. Escrever - pode eliminar essa sensação de gratuidade no existir, de coisas o tempo todo fugindo e se transformando em passado. Então vai, escreve e diz tudo e rasga o coração, as vísceras, expõe tudo, grita, esperneia - no papel. Isso é escrever. Tirar sangue com as unhas. E não importa a forma, não importa a "função social", não importa que, a princípio, seja apenas uma espécie de auto - exorcismo. Mas tem que sangrar a-bun-dan-te-men-te." Caio Fernando de Abreu.

domingo, 29 de janeiro de 2012

Sonhos, necessidades transbordam.

Capuz sobre a face, escuridão. Ouço o canto gregoriano dos monges vibrando pelos corredores de um mosteiro qualquer.
Saber onde e como,  Morpheu não permite isso em seu mundo. Lembro dos meus quando chego nesse estado, quase um transbordar da alma, dos sentidos, da necessidade.

Corpo nu, imobilizado por cordas. O cheiro da madeira, poeira e mofo. Porta se abre, corpos a se mover, palavras em língua desconhecida.
A carne profana é analisada por mãos ásperas, esticada para a purificação através da dor.
Retirado o capuz, dor nos olhos, claridade de velas. Forço uma saída desesperada, as cordas cortam, vejo os vultos se locomovendo pela sala. E me deparo com uma parede em pedra, sebosa de mofo e repleta de materiais de tortura.
Sem esperar momento, sem critérios, sem preparação, sem uma palavra proferida que eu pudesse compreender, os acoites vieram, por quantas mãos não sei, mas uma apenas não poderia causar aquilo.
A carne das costas e pernas esquenta.. aquela sensação conhecida... fogo...  o prazer em sentir os cortes a se fazer, a carne a se abrir.. o cheiro de sangue. Tentei gritar, mas não tinha voz..  não conseguir gritar..  um grito mudo.. um abrir de boca e estourar de tímpanos. Os cantos a ecoar...
Mãos me pegam e viram meus sentidos ao avesso, as pernas não se sustentam mais. O corpo é virado de frente... os olhos se abrem...duas criaturas, monges de cabeça e corpos cobertos.
Chorei um choro mudo e sem lágrimas, e ri endemoniada aos chicotes que estalaram a carne...o corpo não se sustenta mais... treme... vejo a carne dos peitos das pernas se dilacerar... quente.. escorrendo de mim.
Acordei assim, tremendo com vontade de gozar e urinar...meio atordoada, sem muito tempo ou equilíbrio para chegar o banheiro, sinto os esguichos saindo.... gozo vem...  ainda escuto ao fundo a música que consome.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Natal, família e outras atrocidades.

Datas comemorativas como natal nunca foram muito meu forte:  família, festividades isso e aquilo, claro que é um tanto divertido, mas esse natal foi um tanto mais...

Fui para casa de meus pais, casa cheia, tios, primos e toda parafernalha necessária nesses momentos. Desde que comecei a brincar com cordas, sempre levo alguma a tira colo, se estiver entediada, tenho com o que brincar.
Natal e etc, nesse contexto não foi muito diferente, peguei minhas cordas e coloquei na bolsa por via das dúvidas.

E lá em seus momentos, entro no quarto de meu irmão, conversa aqui e ali. Já havíamos conversado um pouco sobre shibari, tiro as cordas da bolsa e começo a mostrar os nós. Interesse demonstrado, até o ponto em que olho para ele, e sem cerimônia, pego o braço e começo a amarrar, braços para trás, desenho a corda nos seus ombros e braços e assim vou brincando, até chegar a um the dragonfly sleeve.  Foi a primeira tentativa em amarrar um corpo masculino, a sensação é tão divertida que eu parecia criança com presente nas mãos. O quanto é impressionante como as cordas se adaptam ao corpo e vice-versa.
O prazer em olhar os nós bem feitos, a simetria, a sacanagem em pensar nas possibilidades. Deito o corpo dele de bruços na cama, ele me olha e diz: - O que é que você vai fazer?!  Palavras sarcásticas me vem a mente, mas mantenho a boca fechada.  Porta aberta, passam tios com olhos estufados, mas sem nenhuma palavra. Eu apenas ria em contemplação a cena hilária.
Amarro os pés, dobro os joelhos e levo as cordas até as amarras das mãos, um hogtie bem elaborado.
Encosta na porta para observar minha irmã e o namorado, e como quem pensa alto, ele solta:  - Já vi esses nós! A alma sádica fervilhado responde: - É mesmo, onde? O cara fica branco, engole em seco, e meio que balbucia: não lembro, de algum lugar. Eu fervilho por dentro, risada irônica, eles se afastam.
Tentativas de fotos com a câmera do celular, que não deu muito certo, mas isso não importava.
Paro, olho pra cena, ninguém mais perturba... a brincadeira não precisa ter conotação sexual pra ser divertida. Lembro, sim ele morre de cocegas! E eu judio um pouquinho, e racho que rir com os berros de desespero dele,  mesclados entre gritos e gargalhadas.
Brincadeira interrompida pelo olhar assustado e protetor de minha mãe. Desamarro as cordas, e para minha surpresa final, vem a deixa de meu irmão: estranho, mas divertido!

Enquanto que para alguns, omitir se torna um fetiche, para mim, em muitos momentos, escancarar tem se tornada muito mais interessante!