Fui criada, no seio de uma família de cultura japonesa tradicionalista e católica. No inicio da educação, dos princípios e preceitos cristãos, me martirizava por não conseguir resistir ao pequenos prazeres inocentes que a masturbação proporcionava.
Os atos se tornaram um vicio, os pensamentos sujos e pecaminosos sempre me conduziam ao outro lado do abismo, mal eu sabia, em inocência de criança, que o mundo de fato era assim como sou.
Primeira comunhão, segundo ritual de passagem dentro da crença católica. Em meus 11 anos, fui enviada a um retiro pastoral, a preparação para momento tão importante da vida de uma criança religiosa.
E cá lá em seus momentos, chega a hora da primeira confissão: a libertação e absolvição dos pecado para uma vida em comunhão com Cristo! Pensa-se, o que uma criança de 11 anos tem a confessar? Uma ofensa feita ao pai e mãe? Uma briga de escola? Um palavrão? Um mau comportamento? Ah, os meus pecados, o meu comportamento não se enquadravam a época, nenhuma das alternativas me cabiam, minha sujeira era a mais deliciosa!
Antes a palestra do que são pecados, do que deve ser arrependido e confessado. Que atos perversos devem receber absolvição. Cá entre meus botões, nada daquilo dito se encaixava, minha geração era diferente da que temos hoje, a sexualidade ainda não era tão exposta.
Sendo assim, vai a criança cordeiro para o abate. Entro na sala preparada para, nada de extraordinário. A memória visual só me deixou recordações de duas cadeiras, uma vazia outra já ocupada pelo padre. O padre era jovem, olhos negros firmes e serenos, os cabelos pretos, o rosto andrógeno, o corpo esquio e esbelto. Não tinha desejos pelo corpo, não compreendia nada, mas os olhos, a forma como olhava, aquilo era diferente.
Primeiro ato, não sabia ao menos o que fazer, sendo assim fui conduzida:
- Ofendeu teu pai ou tua mãe?
- Magoou algum colega?- Disse palavões?
Perguntas comuns, até ai soube me sair bem, sem sustos. Pensei que seria bem pior, meus segredos guardados seriam expostos, e eu seria massacrada, como tantas vezes fui repreendida quando pega em flagra por meus pais.
O padre se ajeita, e mais uma vez começa os questionamentos que tanto temia que viessem.
- Filha, você se toca?
- Você se toca, lá em baixo?- Quando foi a ultima vez?
- Como você se toca?
- Diga-me minha filha, o que você sente?
Lembro da vergonha em responder cada pergunta, o rosto queimando, eu ali, sendo aberta, dilacerada.
O mais estranho de tudo, era o prazer em saber que outro sabia, era o prazer em dizer.
Limpei as lágrimas dos olhos, e com a cabeça baixa pude perceber uma pequena saliência nas calças do podre padre. Já tinha visto isso antes, em minhas bisbilhotagens pelas frestas das portas, pelos buracos de fechaduras. Observava os pais, os tios, os primos, qualquer um que desse chance, sou uma voyeur desde criança. Seguindo as imagens e impressões já vistas, bem sabia o que vinha depois das saliências...corpos se roçando, os suspiros que não sabia o que eram... lembravam muito o gemido da dor, a agonia.
O padre puxou a cadeira para mais perto, colocou meu rosto em suas mãos, carinhosamente limpou meus olhos, e aproximou meu rosto do seu. Os grandes olhos negros de deus me fuzilavam, o medo dilacerava minhas entranhas.
Fechei os olhos, e senti o macio da boca que beijava a minha, o primeiro beijo, a língua molhada forçando meus lábios a se abrirem, sentir a serpente maleável, quente e úmida explorando minha boca pequena, tentando brincar com a minha. As mãos apertando a carne dos braços, deslizando pelos meu projetos de peitinho que ainda não haviam despontado, os leves beliscões. Era criança demais para compreender, mas humana o suficiente para sentir.
Fechei os olhos, e senti o macio da boca que beijava a minha, o primeiro beijo, a língua molhada forçando meus lábios a se abrirem, sentir a serpente maleável, quente e úmida explorando minha boca pequena, tentando brincar com a minha. As mãos apertando a carne dos braços, deslizando pelos meu projetos de peitinho que ainda não haviam despontado, os leves beliscões. Era criança demais para compreender, mas humana o suficiente para sentir.
A última palavra, olhava a boca do padre a proferir: Criança, não há pecado!
Afastou o corpo para longe do meu, suspirou profundamente e me mandou rezar vários pais-nossos e infinitas ave-marias. Sai da sala confessionário muda, paralisada, deus havia beijado meus lábios e me enchido de vontades.
Lembro ainda hoje, a noite, enquanto todos dormiam no seminário. Eu queimava em febre, desejava a boca, os dedos do padre ali, onde eu sempre colocava. Fechei as perninhas em torno da mão e roçei até sentir aquilo, que fazia a respiração acelerar, o corpo tremer, o coração bater, a alma se consumir.

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